O Horizonte na Janela: Crônicas de um Camper além do Báltico - Capítulo 12
Capítulo 12: História, pedais e chopes na Letônia
Depois de Pärnu, na Estônia, cruzamos a fronteira para a Letônia, o segundo dos Países Bálticos. Junto com Estônia e Lituânia, a região já esteve sob domínio sueco e depois russo até 1918, quando alcançou sua primeira libertação. Na Segunda Guerra, por conta de um acordo com a Alemanha, foi anexada pela União Soviética, conquistando a independência definitiva em 1991. Toda essa bagagem histórica a gente vivencia ao caminhar pelas ruas, na arquitetura, no semblante do povo e, claro, na barreira do idioma!
Ficamos duas noites em um estacionamento bem próximo do centro antigo — uns 10 minutos de pedalada por ótimas ciclovias. O local não tinha área de descarte, mas oferecia eletricidade e segurança. Afinal, estávamos em uma capital e todo cuidado é pouco. O atendimento ficou por conta de um senhor muito simpático e prestativo que só falava russo... E não é que no final a gente se entendeu perfeitamente? A linguagem dos gestos e dos sorrisos nunca falha!
Bicicletas prontas e a carruagem da Lizzie a postos, saímos para explorar. A primeira parada foi no monumental Mirante da Academia de Ciências da Letônia (Latvian Academy of Sciences Observation deck), um exemplo clássico da arquitetura no estilo Realismo Socialista Stalinista — imponente e austero.
Em seguida, passamos por um espaço ao ar livre que nos chamou a atenção. Na hora não sabíamos exatamente o que era, mas pesquisando descobrimos se tratar de um memorial histórico dedicado às vítimas do Holocausto na Letônia durante a Segunda Guerra Mundial.
Sentimos um ar pesado no local. É triste ler sobre isso nos livros, mas vivenciar os locais onde a história aconteceu nos faz refletir profundamente.
Para arejar a mente, seguimos em direção ao Mercado Central de Riga, um dos maiores e mais movimentados da Europa.
Ao entrar no mercado, fomos envolvidos por uma explosão de cores e aroma. Havia dezenas de barracas reluzindo com frutas frescas de todos os tipos. Sendo temporada de cerejas, a fartura era visível, pilhas e mais pilhas da fruta se acumulavam nas bancas, formando pequenas montanhas de um vermelho vivo a perder de vista. O detalhe mais curioso? Ele funciona em antigos hangares de Zeppelin construídos na Primeira Guerra Mundial! Por lá, encontra-se de tudo: uma variedade enorme de peixes, frutas, queijos e muita gente circulando. Logo ao lado fica a estação de trem da cidade, outra obra grandiosa.
Continuando o passeio, passamos pela Porta Sueca (Zviedru vārti). Construída em 1698 durante o domínio do Império Sueco para dar acesso aos quartéis militares, ela é a única porta da antiga muralha que se manteve intacta até hoje.
No Parque Bastejkalna (a famosa "Colina do Bastião"), a Lizzie fez a festa e se esbaldou na grama! É um dos parques mais bonitos e românticos de Riga, com um canal onde o pessoal anda de barco e caiaque no verão.
Cruzamos a Ponte dos Cadeados, onde os recém-casados prendem cadeados gravados para dar sorte ao amor, e vimos a Casa dos Cisnes, uma estrutura de madeira fofa feita especialmente para abrigar as aves do canal.
Aproveitamos para relaxar em frente à Fountain City Canal, uma fonte decorativa com a dança das águas instalada no próprio canal, bem perto de uma ponte histórica em homenagem ao Czar Alexandre II.
De quebra, ainda conseguimos assistir à troca da guarda no Monumento à Liberdade, erguido em honra aos soldados mortos na Guerra de Independência.
Depois de tanto rodar, a fome não pediu: exigiu atenção! Fomos conhecer o tradicional pub Ala Pagrabs.
Pedimos dois pratos típicos reforçados — uma carne de porco enrolada no bacon e um ossobuco — e, para brindar à jornada, dois chopes bem gelados.
Como estávamos com a Lizzie, ficamos na área externa curtindo o movimento da rua (embora o interior do pub pareça uma caverna medieval incrível!).
No dia seguinte, levantamos âncora e pegamos a estrada rumo à cidade praiana de Jūrmala (onde é preciso pagar um pedágio ambiental para entrar). A cidade tem uma vibe completamente diferente da capital, recheada de casarões de madeira charmosos.
Montamos a "comitiva ciclística" novamente e fomos explorar o centro.
Passamos pelo Dzintari Concert Hall, uma das casas de shows mais prestigiadas e históricas do país, e vimos as crianças se divertindo nas fontes no calor do verão letão.
Também tiramos foto no Globo de Jūrmala, o maior globo de bronze do país e ponto de encontro clássico da cidade desde os anos 1970.
Para fechar a visita com chave de ouro, decidimos experimentar uma pizza de rua. A promessa era fotografar o "antes e depois", mas a fome era tanta que a pizza desapareceu antes da câmera ser acionada... Ficamos devendo essa! Mas prometemos: do sorvete típico, a foto ficou garantida! 🍦
E assim fechamos nossa roadtrip pela Letônia! O próximo destino é a Lituânia, mas essa andança fica para o próximo capítulo.
Nosso objetivo final segue sendo a Itália... por qual caminho exato iremos? Nem nós sabemos direito ainda, e essa é a melhor parte de viver na estrada!
Agradecemos demais a todo mundo que acompanha a nossa jornada por aqui. Fiquem ligados, porque vem muito mais história e bastidores da nossa rota. Lembrando sempre: não estamos apenas fazendo turismo, nós vivemos dentro de um camper!
Até os próximos capítulos! 🚐💨
Muito bom
ResponderExcluirObrigado! Não perca o próximo capítulo.
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